Karatepe — cidade neo-hitita e a Pedra de Roseta

Karatepe — cidade neohita e a Pedra de Roseta da Anatólia

Karatepe — um dos mais importantes sítios arqueológicos do sul da Turquia, situado na margem direita do rio Ceyhan, na província de Osmaniye, a cerca de 23 quilómetros do centro distrital de Kadirli. Esta cidade fortificada neo-hitita do século VIII a.C. tornou-se mundialmente famosa graças à inscrição bilingue de Azatiwada — um texto em fenício e luvio que se tornou a «Pedra de Roseta» para a decifração dos hieróglifos hititas. Hoje, Karatepe é um museu ao ar livre integrado no Parque Nacional de Karatepe-Arslantaş, onde os baixos-relevos, as esculturas de leões e esfinges foram deixados nos seus locais históricos, e o visitante passa literalmente pelos mesmos portões por onde entraram os guerreiros e mercadores hititas há três mil anos.

Karatepe é uma paragem obrigatória para todos os que se interessam pela história do Oriente Antigo, pela epigrafia e pela cultura dos reinos pós-hetitas da Anatólia. Trata-se de um caso raro em que uma grande descoberta científica continua a ser apresentada ao visitante num ambiente tão autêntico quanto possível, sem que os artefactos tenham sido transferidos para museus da capital.

História e origem

No final do século XII a.C., ruiu o Império Hita — uma das grandes potências da Idade do Bronze, que controlava grande parte da Anatólia e da Síria do Norte. Sobre as ruínas deste império surgiram os chamados Estados neo-hetitas (ou reinos siro-hetitas) — pequenas formações políticas que herdaram a língua hetita, a escrita hieroglífica e as tradições culturais. Karatepe surgiu precisamente como um posto fronteiriço de um desses reinos — Adanawa, situado no território da atual planície de Çukurova, com o centro na região da atual Adana.

A Era de Azatiwata

A cidade ganhou notoriedade sob o reinado de Azativada (também Azatiwata) nos séculos VIII e início do VII a.C. De acordo com as próprias inscrições de Azativada, ele foi nomeado governante pelo «rei Awarikus», soberano de Adanawa, e a própria cidade de Karatepe (cujo nome antigo é desconhecido — possivelmente Azativadia, em homenagem ao fundador) tornou-se a sua fortaleza principal. Azativada tornou-se famoso pelas suas vitórias militares, pela expansão dos territórios e pela política pacífica que protegia os civis e os comerciantes nas rotas comerciais entre a Anatólia e a Síria.

Nas inscrições, Azativada surge perante nós como um governante sábio e misericordioso: «Enchi os celeiros de Adanava, coloquei cavalo contra cavalo, escudo contra escudo, exército contra exército, com a força de Baal e dos deuses; destruí todos os malfeitores, e onde antes o homem temia percorrer a estrada — agora as mulheres caminham com o fuso». Esta fórmula poética é um exemplo da retórica real do Antigo Oriente e, simultaneamente, um testemunho valioso do programa social do governante neo-hetita.

O fim da cidade

As circunstâncias exatas da destruição de Karatepe são desconhecidas. Os arqueólogos supõem que a cidade foi destruída no final do século VII a.C., durante as campanhas de conquista assírias, ou mais tarde — durante a invasão dos cimérios. Após a destruição, o local não foi reconstruído, e as ruínas foram gradualmente cobertas pela vegetação e esquecidas durante 2,5 mil anos, até que, em 1946, o cientista alemão Helmuth Theodor Bossert iniciou aqui escavações sistemáticas. Uma camada de cinzas com várias dezenas de centímetros de espessura foi encontrada em quase todo o local — trata-se de uma rara confirmação arqueológica da «destruição por fogo», característica das conquistas assírias e neo-elamitas.

Descoberta e investigação

As escavações em Karatepe, que decorreram entre 1946 e 1957 sob a direção de Bossert e da sua colega turca Halet Çambel, tornaram-se um dos maiores acontecimentos científicos do século XX. A principal descoberta foi a «Karatepe bilingue» — uma inscrição gravada paralelamente no alfabeto fenício (bem conhecido pela ciência) e na escrita hieroglífica luvia (na altura quase por descifrar). A comparação dos textos permitiu aos cientistas decifrar os hieróglifos hititas — uma tarefa com a qual se debateram durante décadas. Por isso, Karatepe é frequentemente apelidada de «Pedra de Roseta da Anatólia».

As investigações subsequentes prosseguiram nas décadas de 1980 e 1990, sob a direção de Halet Çambel: foram escavadas a parte central da cidade e o palácio real, realizados trabalhos de grande envergadura para a conservação da pedra, a proteção dos ortostatos contra a erosão e a criação do primeiro museu arqueológico ao ar livre da Turquia. Desde então, Karatepe tornou-se um modelo de musealização do património hitita e um centro de investigação para várias gerações de arqueólogos e epigrafistas.

Arquitetura e o que ver

A cidade de Karatepe está situada no topo de uma colina que domina o vale do Ceyhan e é cercada por uma imponente muralha de pedra com cerca de 1,2 km de comprimento e dois portões — o Noroeste e o Sudeste. As muralhas são construídas com grandes blocos de calcário cuidadosamente ajustados. No interior das muralhas encontravam-se o palácio real, bairros residenciais e edifícios agrícolas, parcialmente preservados na forma de fundações.

Portão Noroeste

A principal decoração da cidade são os ortostatos de pedra (lajes verticais na base das muralhas) em ambos os portões, cobertos por baixos-relevos. No Portão Noroeste, estão particularmente bem preservadas cenas do banquete real, da caça ao leão, de navios com remadores, de músicos com liras e de sacrifícios. O estilo da escultura é tipicamente neo-hetita: figuras robustas com vestuário comprido, rostos expressivos, grande atenção aos detalhes do vestuário e das armas. Junto aos portões, encontram-se estátuas de leões e esfinges na função de guardiões — daí a segunda designação do local, «Aslantas», ou seja, «pedra do leão».

Portão Sudeste

Junto ao Portão Sudeste encontram-se os ortostatos mais famosos — aqueles que ostentam a inscrição bilingue de Azativada. O texto começa com as palavras: «Eu sou Azativada, abençoado por Baal, servo do Deus da Tempestade, a quem Avaricus, rei de Adanava, tornou grande...» — e prossegue com uma longa narrativa sobre os feitos do governante, as suas atividades de construção e as maldições dirigidas àqueles que ousarem destruir a cidade. As versões em fenício e luvio do texto são quase idênticas, o que permitiu a sua comparação.

Esculturas e a sua proteção

Todas as lajes de pedra, estátuas e estelas foram deixadas no local, nos seus lugares históricos, o que transforma Karatepe num verdadeiro museu arqueológico a céu aberto — o primeiro na Turquia. Para proteger os baixos-relevos da erosão e das precipitações, foram construídos toldos e pavilhões de vidro sobre as áreas especialmente valiosas. Junto a alguns artefactos foram colocadas réplicas: os originais estão guardados em vitrinas protegidas, enquanto as réplicas permitem ao visitante tocar na pedra e tirar fotografias sem flash.

Palácio e zona residencial

No centro da cidade, os arqueólogos descobriram os vestígios do palácio de Azativada com o característico «bit-hilani» — um esquema de entrada principal com duas colunas e um alpendre largo, típico da arquitetura neo-hitita e do norte da Síria. O palácio tinha várias salas com alvenaria de pedra talhada e estava decorado com ortostatos com cenas palacianas. A zona residencial da cidade, que ocupa a maior parte do espaço cercado, é representada pelas fundações das casas de cidadãos comuns e artesãos, bem como por edifícios agrícolas — celeiros, cisternas de água e silos de cereais.

Factos interessantes e lendas

  • A inscrição bilingue de Karatepe é considerada uma das maiores e mais completas inscrições em língua fenícia em todo o Mediterrâneo Oriental — o seu significado científico é comparado à Pedra de Roseta de Champollion.
  • Helmut Bossert percorreu literalmente a pé todo o Mediterrâneo Oriental em busca da «montanha com pedras de leão» prometida pelos camponeses locais — foi assim que descobriu Karatepe.
  • A arqueóloga Halet Çambel, que trabalhou em Karatepe durante várias décadas, é considerada uma das pioneiras da arqueologia feminina turca.
  • A cidade chamava-se Azatiwadiya em honra do seu governante Azativada — um dos poucos povoados neohittitas cujo nome antigo é conhecido com certeza graças às suas próprias inscrições.
  • Os baixos-relevos de Karatepe retratam não só motivos locais, mas também influências assírias, fenícias e egípcias — este é um dos melhores testemunhos visuais do diálogo cultural do Mediterrâneo Oriental do século VIII a.C.
  • Entre as cenas únicas nos ortostatos, destaca-se a representação de um navio antigo com remadores — um dos mais raros testemunhos visuais que chegaram até nós sobre a frota marítima da época neo-hitita.
  • As esculturas de leões de Karatepe são das mais expressivas da escultura em pedra da Anatólia da Idade do Ferro; o seu focinho característico, com a boca entreaberta e a crina realçada, tornou-se a imagem canónica da iconografia «real animal» neo-hitita.
  • O texto de Azativada inclui maldições detalhadas para quem ousar danificar o monumento: «que Baal e todos os deuses da cidade destruam o seu reino e a sua descendência». Até hoje, a pedra permanece relativamente intacta — o que, no entanto, se deve não às antigas maldições, mas ao trabalho meticuloso dos restauradores.

Como chegar

Karatepe está localizado no Parque Nacional Karatepe-Aslantaş (Karatepe-Aslantaş Millî Parkı), no distrito de Kadirli, na província de Osmaniye. O aeroporto mais próximo é o de Adana Şakirpaşa (Adana Şakirpaşa, ADA), a cerca de 125 km, com uma viagem de carro de 1,5 a 2 horas. A partir de Adana, pela autoestrada O-52 / D-825, deve seguir na direção de Kadirli e, em seguida, pela estrada local até à barragem de Arslantaş; desde a entrada do parque nacional até ao museu, são mais cerca de 3 km de estrada asfaltada através de um pinhal.

De Osmaniye até ao parque são cerca de 35 km. Não há transportes públicos diretamente para Karatepe — é melhor apanhar um táxi ou alugar um carro. De Istambul, Ancara e outras grandes cidades, o mais conveniente é voar até Adana. No recinto do parque há estacionamento, casas de banho e quiosques com bebidas. Na entrada do museu é necessário pagar um bilhete separado — o preço exato e o horário de funcionamento podem variar, por isso é melhor verificar com antecedência.

Dicas para o viajante

A melhor altura para visitar Karatepe é a primavera (abril–maio) e o outono (setembro–novembro). No verão, em Çukurova, faz muito calor (até +38 °C) e o ar é abafado, especialmente ao meio-dia; no inverno, são possíveis chuvas e lama. O museu está normalmente aberto das 09:00 às 17:00 (no inverno — até às 16:30), mas podem ocorrer alterações durante os feriados religiosos.

Reserve 2 a 3 horas para visitar a cidade e o museu ao ar livre. Leve calçado confortável (em alguns pontos, o trilho sobe por encostas rochosas), chapéu, água, lanche e protetor solar. Para fotografar, é melhor escolher as horas da manhã ou do fim de tarde — a luz suave realça o relevo dos ortostatos. É proibido usar flash nos pavilhões; normalmente também não são permitidos tripés, para não atrasar o fluxo de visitantes. Não existem audioguias detalhadas em russo no local — vale a pena descarregar os materiais com antecedência ou contratar um guia local (é melhor combinar a visita a partir de Adana ou Kadirli).

Karatepe combina bem com outros monumentos da região: Hierápolis-Castabala (Hierapolis-Castabala), a fortaleza de Adana (Adana Kalesi), o museu arqueológico de Adana e a fortaleza de Toprakkale (Toprakkale). Juntos, formam um itinerário rico intitulado «Dos hititas aos otomanos», que demora 2 a 3 dias. Para pernoitar, o mais conveniente é escolher Adana — aqui há uma vasta escolha de hotéis de todas as categorias, uma excelente gastronomia e infraestruturas desenvolvidas. Em um dia e meio a dois dias na região de Osmaniye, é possível conhecer toda a cronologia da história local — dos hititas aos otomanos. Para uma imersão mais profunda, recomendo ler, antes da viagem, a tradução da inscrição de Azativada e um ensaio geral sobre os reinos neohittitas — isto irá intensificar muito a experiência da visita. Karatepe ocupa, com toda a justiça, um dos lugares principais na lista de quem quer compreender a antiga Anatólia.

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Perguntas frequentes — Karatepe — cidade neo-hitita e a Pedra de Roseta Respostas às perguntas mais frequentes sobre o Karatepe — cidade neo-hitita e a Pedra de Roseta. Informações sobre o funcionamento, as possibilidades e a utilização do serviço.
Karatepe — cidade fortificada do Império Novo-Heta, do século VIII a.C., situada nas margens do rio Ceyhan, na província de Osmaniye. Recebeu este nome devido a uma inscrição bilingue do governante Azativada, gravada simultaneamente no alfabeto fenício e na escrita hieroglífica da língua luvia. A comparação das duas versões do texto permitiu aos cientistas, em meados do século XX, decifrar os hieróglifos hititas — uma tarefa com a qual se debateram durante décadas. Pela sua importância para a linguística e a história, esta descoberta é comparada à Pedra de Roseta de Champollion.
Azativada — governante de Karatepe, nomeado pelo rei Avarikus do reino de Adanava nos séculos VIII e início do século VII a.C. Nas suas inscrições, apresenta-se como comandante militar, construtor e defensor das rotas comerciais entre a Anatólia e a Síria. Do texto da inscrição: «onde antes as pessoas tinham medo de andar na estrada — agora as mulheres andam com o fuso». A cidade, ao que tudo indica, levava o seu nome — Azatiwadiya — o que a torna um dos poucos povoados neohittitas com um nome antigo conhecido com certeza.
Após o colapso do Império Heta, por volta de 1200 a.C., surgiram na sua periferia pequenos Estados sucessores — os reinos neo-hetitas (ou siro-hetitas). Estes mantiveram a língua heta, a escrita hieroglífica e as tradições artísticas. Karatepe era um posto avançado fronteiriço do reino de Adanava, situado no território da atual planície de Çukurova. Isso tornava a cidade um nó estratégico nas rotas da Anatólia para o norte da Síria.
Em 1946, o cientista alemão Helmuth Theodor Bossert, seguindo as histórias dos camponeses locais sobre a «montanha das pedras em forma de leão», descobriu o monumento. As escavações sistemáticas decorreram entre 1946 e 1957, em colaboração com a arqueóloga turca Halet Çambel. Mais tarde, foi precisamente Halet Çambel quem deu continuidade aos trabalhos de conservação e transformação do local num museu, que se prolongaram por muitos anos. Ela é considerada uma das pioneiras da arqueologia feminina na Turquia.
Esta é uma decisão fundamental da direção científica das escavações, apoiada pelas autoridades turcas: preservar Karatepe como o primeiro museu arqueológico ao ar livre da Turquia no seu contexto original. Os ortostatos, as estátuas de leões e as esfinges encontram-se exatamente onde estavam há três mil anos. Para proteção contra a erosão e as precipitações, foram erguidos toldos e pavilhões de vidro sobre as áreas mais valiosas. Onde necessário, foram expostas réplicas exatas ao lado dos originais.
Os ortostatos (lajes verticais de pedra na base das paredes) estão decorados com cenas de um banquete real, caça ao leão, embarcações com remadores, músicos com liras e sacrifícios. O estilo escultórico é tipicamente neo-hitita: figuras robustas, vestuário e armas ricamente detalhados. Ao mesmo tempo, nos baixos-relevos são visíveis influências assírias, fenícias e egípcias — um testemunho único do diálogo cultural do Mediterrâneo Oriental do século VIII a.C. A representação de um navio com remadores é um dos mais raros testemunhos visuais da frota naval da época neo-hitita.
As circunstâncias exatas são desconhecidas. Os arqueólogos descobriram uma camada generalizada de cinzas de incêndio com várias dezenas de centímetros de espessura — um indício característico de destruição violenta. As versões mais prováveis: as campanhas de conquista assírias do final do século VII a.C. ou a invasão dos cimérios. Após a destruição, a cidade não foi reconstruída; as ruínas foram gradualmente cobertas pela floresta e permaneceram desconhecidas pela ciência até 1946.
Não há audioguia em russo no recinto do museu. Os painéis informativos estão principalmente em turco e inglês. Se pretender aprofundar-se na história do local, recomenda-se que descarregue antecipadamente materiais temáticos, leia a tradução da inscrição de Azativada e contrate um guia local — o mais conveniente é tratar disso a partir de Adana ou Kadirli.
O museu está normalmente aberto das 09::00 às 17::00; no inverno, até às 16::30. Podem ocorrer alterações durante os feriados religiosos. O bilhete de entrada no museu é pago separadamente da entrada no Parque Nacional Karatepe-Aslantaş Millî Parkı. É aconselhável verificar antecipadamente o preço exato e o horário de funcionamento atual — no site oficial do Ministério da Cultura da Turquia ou por telefone junto da administração do parque, uma vez que as tarifas mudam periodicamente.
É permitido tirar fotografias, mas o uso do flash nos pavilhões fechados é proibido — isso acelera a deterioração do revestimento de pedra. Normalmente, também não é permitido o uso de tripés, para não criar congestionamentos nos caminhos estreitos. Para obter as melhores fotografias dos relevos, opte pelas horas da manhã ou do fim de tarde: a luz lateral suave realça melhor a profundidade dos baixos-relevos.
O Parque Nacional Karatepe-Aslantaş Millî Parkı abrange uma zona montanhosa ao longo da barragem do rio Ceyhan. Além do museu arqueológico, o recinto conta com florestas de pinheiros, miradouros com vista para a barragem, estacionamento, casas de banho e quiosques com bebidas. O parque é ideal para passeios tranquilos na natureza, combinados com a visita a locais históricos. A própria localização do museu no topo da colina oferece uma bela vista sobre o vale do rio.
No centro da cidade fortificada, os arqueólogos descobriram os vestígios de um palácio com a disposição «bit-hilani», característica da arquitetura neo-hitita: uma entrada principal com duas colunas e um alpendre amplo. As paredes eram construídas em pedra talhada e decoradas com ortostatos representando cenas palacianas. Junto ao palácio, conservaram-se as fundações de casas de habitação, oficinas de artesãos, celeiros, cisternas e silos de cereais — ou seja, um quadro completo da vida de uma pequena cidade fortificada.
Manual do usuário — Karatepe — cidade neo-hitita e a Pedra de Roseta Manual do usuário do Karatepe — cidade neo-hitita e a Pedra de Roseta com descrição das principais funções, recursos e princípios de uso.
Os melhores meses para visitar Karatepe são abril–maio e setembro–novembro. Na primavera, o vale do Ceyhan fica coberto de vegetação e a temperatura é agradável para passear a pé pela colina. No outono, o calor diminui e a luz torna-se mais suave — ideal para fotografar. No verão, em Çukurova, a temperatura sobe até aos 38 °C e a humidade é elevada; se for viajar em julho–agosto, planeie a visita para o início da manhã. No inverno, são possíveis chuvas e trechos da trilha com solo alagado.
O aeroporto de grande dimensão mais próximo é o Adana Şakirpaşa (ADA), a cerca de 125 km de Karatepe. Existem voos diretos de Istambul, Ancara e outras cidades para Adana. A partir de Adana, siga pela autoestrada O-52 / D-825 em direção a Kadirli e, em seguida, pela estrada local até à barragem de Arslantaş. A distância desde Adana é de cerca de 125 km, e a viagem de carro demora entre 1,5 a 2 horas. De Osmaniye até ao parque são cerca de 35 km. Para pernoitar, o mais conveniente é escolher Adana: existe uma vasta escolha de hotéis e uma infraestrutura bem desenvolvida.
Não há transportes públicos diretos para o Parque Nacional Karatepe-Aslantaş. A melhor opção é alugar um carro: isso dá-lhe liberdade para escolher a hora da visita e permite combinar a viagem com outros pontos turísticos da região. Se não for possível alugar um carro, peça um táxi em Kadirli ou Osmaniye — os motoristas conhecem o caminho para o parque. Combine o transporte com antecedência, especialmente na época baixa, quando há menos carros disponíveis.
Leve calçado confortável e fechado, com sola antiderrapante: em alguns pontos, o trilho passa por encostas rochosas. Nos meses mais quentes, é obrigatório usar chapéu, protetor solar e levar água suficiente — existem quiosques no parque, mas nas horas de ponta do verão podem estar muito cheios. Um lanche leve não faz mal, especialmente se planeia passar 2 a 3 horas no local. Leve uma câmara sem flash — o seu uso é proibido nos pavilhões.
Na entrada do parque nacional é cobrada uma taxa por veículo. O bilhete individual para o museu arqueológico deve ser pago na entrada do recinto do monumento. Verifique antecipadamente os preços atuais e o horário de funcionamento, pois estes podem sofrer alterações em dias festivos. O museu funciona normalmente das 09:00 às 17:00 (no inverno até às 16:30). Para uma visita mais aprofundada, recomenda-se chegar logo à abertura, enquanto ainda não há o calor do meio-dia nem grandes grupos.
Comece o percurso pelo Portão Noroeste: é aqui que se concentram os ortostatos mais bem preservados — cenas do banquete real, da caça ao leão, de navios com remadores e de músicos. Junto ao portão encontram-se esculturas de leões e esfinges, que deram o segundo nome ao local — Aslantaş («pedra do leão»). Avance sem pressa, observando os detalhes das vestimentas, das armas e da simbologia de cada placa — é precisamente nos detalhes que se lê a síntese cultural da época.
O Portão Sudeste — o coração científico de Karatepe. É aqui que se encontram os ortostatos com texto paralelo em finício e em luvio hieroglífico — a «Pedra de Roseta da Anatólia». Leia a tradução da inscrição com antecedência para conhecer o texto da Azativada «de primeira mão». Repare na identidade das duas versões — isto é bem visível mesmo sem conhecimento das línguas, pela disposição simétrica dos caracteres.
Depois de Karatepe, faz sentido continuar a rota pela região. Hierápolis-Castabala (Hierapolis-Castabala) — uma cidade antiga a 30 km — acrescentará uma vertente greco-romana à história. A fortaleza de Toprakkale e o Museu Arqueológico de Adana (Adana Arkeoloji Müzesi) completam o panorama desde os hititas até à Idade Média. Juntos, formam um itinerário rico de dois a três dias intitulado «Dos hititas aos otomanos», com base em Adana.